sexta-feira, 31 de maio de 2013

PROJETO: POESIA EM CENA

portalis-150







IDENTIFICAÇÃO:

Colégio Super Passo
Rua Dom Climério, Nº 01, Jequié- BA

Telefone: 3525 2976

Faixa etária dos alunos:

 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental

Tempo de duração do projeto:
·                     II unidade
Temas Transversais:
      Ética, Cidadania, Meio Ambiente, pluralidade cultural.





INTRODUÇÃO


            O que é um poema? O que é uma poesia? Qual a sua importância na formação dos educandos? Como selecionar textos adequados para tal especificidade? Como despertar e fazer enxergar a poesia que há no mundo? Questionamentos como esses e outros mais é que nos levaram, a elaborar esse Projeto.
            Na tentativa de desenvolver o gosto pela leitura e pelo imaginário, bem como explorarmos mais esse tema controverso, poesia, e na maioria das vezes mal trabalhado em sala de aula, é que nasce o desejo de adentrar nessa temática: poemas e poesias com os alunos do ensino fundamental, anos finais. Cabe acrescentar que tudo que girar em torno do “tema”, será selecionado de acordo com a proposta curricular e com o nível dos alunos, das suas capacidades de entendimento e compreensão. Podemos afirmar que todo trabalho envolvendo leitura e escrita precisa apoiar-se ao mesmo tempo em valores didáticos e pedagógicos numa perspectiva colaborativa tal como preconiza Maria Tereza Freitas (2003) Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha, mas sim, em parceria com os outros que são os mediadores.
            Podemos interferir nesta realidade de forma significativa, contribuindo com este processo ensino-aprendizagem, mediando a construção do conhecimento pelos discentes que também são agentes transformadores e produtos de cultura, reconhecendo que a leitura e a escrita são instrumentos básicos em todas as áreas do conhecimento e propiciar aos alunos a compreensão da realidade como processo/produto das relações sociais que o homem produziu a partir das suas necessidades, lhe conferindo a capacidade de ler melhor o mundo em que vive e nele interferir de forma crítica e consciente através das poesias. Visto que, todo bom leitor é bom leitor é bom aprendiz, fato importante para o êxito tanto na escola quanto na vida ulterior, quando se precisa estar preparado para nos adaptarmos a novas circunstâncias, pois como afirma Freire (1996) [...] a leitura do mundo precede a leitura das palavras.
            É pertinente mencionar que a poesia está no mundo originariamente antes de estar no poeta ou no poema, por isso podemos encontrar objetos ou situações do mundo que são “poéticos”. O objetivo, à priori, é ressaltar a importância das técnicas de incentivo ao hábito de leitura e escrita, voltadas à descoberta individual do prazer de ler e escrever, frente às representações a do universo imagético, além de despertar no aluno a sensibilidade, para que o mesmo possa perceber a poesia que há no mundo e transformá-la em poema.



FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

            A leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem, e diante da paradoxal deficiência de formação específica para as questões relativas à sua complexidade e problemática é que Viana (1999,p.5) escreveu:

Ler e escrever são atos indissociáveis. Só mesmo quem tem o hábito da leitura é capaz de escrever sem muita dificuldade. A leitura (...) permite-nos refletir sobre as idéias e formular nossa própria opinião.

             Sendo assim, consideramos de importante relevância o papel da escrita como prática social e cultural, pois permitem aos homens, a conservação dos conhecimentos produzidos por eles, enquanto que a prática da leitura os conduzirá às reflexões e questionamentos das coisas que fazem parte do mundo, e conseqüentemente de nossas vidas.
            Pode-se questionar se o uso constante das diversas tecnologias visuais e auditivas (sem desmerecer a sua importância) não nos leva a uma acomodação e desinteresse pela leitura/escrita, já que muitos de nós, preferem sentar-se confortavelmente e assistir a um tele-jornal, a ler a todo um jornal, procurando analisar com discernimento o que está escrito nas entrelinhas e etc., da realidade que nos são apresentadas.
             Ledir (2001, p.12), foi muito feliz ao preconizar que:

 Como se não bastassem, os costumes sociais também aboliram a escrita. O cidadão moderno passa anos sem escrever (...) até mesmo os cartões postais de felicitações, etc., estão prontos no mercado, bastando assiná-los (...) o próprio espírito do homem moderno conspira contra a prática da escrita. Estamos sempre com pressa (...) a maioria dos nossos alunos passam anos sem ler uma obra de ficção, ou mesmo de história, etc.

            Temos consciência que aprendemos a escrever a partir do que lemos e é nesse contexto que o professor de Língua Portuguesa (não só ele como os demais) precisam despertar nos alunos  esse interesse  pela leitura, seja em forma de textos (não só os didáticos), imagens, sons, poemas e etc., mas de maneira prazerosa e sem cobranças avaliativas posteriores.
            De modo geral, nas escolas, a leitura não é trabalhada como deve realmente ser, levando em consideração as estratégias de leitura e as habilidades lingüísticas. Quando o assunto é poema aí é que é visto superficialmente, pois o mesmo é considerado como um “passatempo” ou como diz Ana Elvira (1997, p. 151) texto sem maior elaboração, pois nenhum dos elementos da sua estrutura foram desvendados. É preciso chegar ao poema.  Tudo isso porque a forma em que é trabalhada faz com que os alunos não consigam refletir sobre o uso dos diferentes tipos de linguagem e sentir a emoção estética ao ouvir, ler e criar um poema. Segundo Ana Elvira (1997, p.152)         

(...) uma abordagem do poema em sala de aula, que tem como objetivo ensinar, deve passar por quatro grandes momentos. (...) Antes de chegarmos aos quatro momentos da análise do poema, é necessário esclarecer que ensinar literatura não consiste em apresentar conceitos operatórios que tragam em si soluções de “como fazer”.

 Por essa razão George Steiner, (1988, p. 59) fala sobre a literatura e o seu papel:


Um poema magnífico, um romance clássico entra à força em nosso interior; tomam de assalto e ocupam as praças fortes de nossa consciência. Exercem sobre nossa imaginação e desejos, sobre nossas ambições e sonhos mais secretos, um domínio estranho e contundente. Quem queima livros sabe o que está fazendo. (...) Ler corretamente é correr grandes riscos, é tornar vulnerável nossa identidade, nosso autodomínio.

             Agora, com esse pressuposto de deslocar-se o objetivo da simples aplicação de conteúdos programáticos para uma reflexão sobre esses objetivos e estratégias, poderemos chegar ao poema.
         Para o professor Pedro Lira (1986) existe diferença entre poesia e poema.

Poema está caracterizado como um texto escrito (primordialmente, mas não exclusivamente) em verso, e a poesia, por sua vez, abrange dois conceitos: ora uma pura e complexa substância imaterial, anterior ao poeta, independente do poema e da linguagem; ora como o estado em que o indivíduo se coloca na tentativa de captação apreensão e resgate dessa substância no espaço abstrato das palavras, ou seja, a poesia é uma substância imaterial e o poema, concreto.

            Segundo Rubem Alves,

A escola tem dois objetivos: O primeiro é dar ferramentas para vivermos, como aprender a caçar. (...) a somar, diminuir. São enfim, saberes que precisamos para sobreviver. O segundo diz respeito a aquelas coisas que não servem para nada, mas nos dão prazer. São elas cantar, ler poesia, ouvir música, (...)”.

            Acreditamos que o poeta ao expressar-se assim, corrobora com nossa convicção de que o texto poético não deve vir como pretexto para outras interpretações que não as dele próprio. Ou seja, uma leitura prazerosa que possa propiciar aos educandos um conhecimento novo, intrínseco, capaz de despertar emoções e atitudes favoráveis a um bom relacionamento com a vida e consequentemente com as pessoas.

            Completando a sua fala, acrescentamos o pensamento da escritora e poeta Ana Maria Machado: Um texto não é poético só porque está escrito em versinho e termina com palavras que rimam. (2002. p,6) É muito difícil – talvez impossível – definir o que seja poesia. Mas, com certeza ela tem a ver com dois aspectos. O primeiro é uma visão diferente e inesperada das coisas, como se elas estivesses sendo contempladas pela primeira vez e, com isso, revelassem um sentido surpreendente e iluminador, capaz de emocionar e fazer entender melhor a própria vida. O segundo é um emprego da linguagem que também se mostra diferente do que usamos na comunicação habitual. A poesia pode explorar a musicalidade das palavras, a capacidade de criar imagens com elas, de aproximar coisas diversas por meio de comparações ou oposições. Em suma, um poeta trata mais da expressão do que da comunicação e consegue encarar a língua como um manancial inesgotável de recursos à disposição das pessoas.

            É comum ouvirmos de alguns alunos e também dos pais desses, que trabalhar com textos poéticos é uma “pura perda de tempo”. Não percebem que através deles, além de “humanizar” as pessoas, eles brincam com o leitor, emocionam e o faz pensar.

            Temos conhecimento que a poesia e o poema são explorados nas escolas como um “texto a mais” a ser interpretado não pela emoção que ele possa causar e sim, pelo que dele se pode tirar, a exemplo de exercício relacionados às teorias gramaticais, cuja leitura é imposta pelo professor.

            Entendemos que independente dos poemas escolhidos eles propiciarão aos educandos, entre outras coisas, o enriquecimento vocabular, a capacidade de construir outros poemas com maior clareza e, conseqüentemente, a uma escrita mais elaborada. E a tudo isso, o professor deve estar atento para, só então, conhecedor de grau de dificuldade dos alunos, reverem seus conceitos.
                                         

OBJETIVO GERAL:

v  Comemorar o centenário do Poeta Vinícius de Moraes e promover situações reais que despertem nos discentes a compreensão e interpretação e o interesse acerca das produções poéticas.


 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

v  Reconhecer a poesia como meio de expressão dos sentimentos e ideias inerente  ao ser humano.
v  Despertar a sensibilidade e gosto por textos poéticos.
v  Identificar as diversas formas de sentimentos presentes nos poemas.
v  Distinguir poesia de poema.
v  Incentivar a criação de poesias e poetas no âmbito escolar.
v  Estudar os poemas sua forma peculiar e suas sonoridades.
v  Estudar recursos poéticos, como repetições, aliterações e assonâncias.
v  Conhecer algumas formas fixas de poemas.
v  Aprender sobre como as palavras se formam em nossa língua.
v  Exercitar um “jeito poeta” de ser e participar de um sarau na culminância do projeto.

CONTEÚDOS:

·         Conceito de poesia e poema.
·         Poesia e poema: forma e substância.
·         Linguagem poética.
·         Recursos poéticos: repetição, assonância, aliteração; ritmos e métricas;
·         Estrutura de palavras: radical, afixos, desinências, vogal temática, tema.
·         Formação de palavras: derivação, composição, radicais compostos eruditos, onomatopeias, redução.


ESTRATÉGIAS:

*      Pesquisar e apresentar vida e obra de poetas brasileiros, incluindo Vinícius de Moraes ( nosso homenageado)
*      Levantamento de discussões: O que é um poema? O que é uma poesia? Qual a importância na formação dos educandos? O porquê da escolha do tema.
*      Estudos de estruturas de poesias e poemas: Falando em ritmos, as estrofes, as rimas, a enumeração.
*      Apresentação de poesias de diversos poetas:
*      Momentos práticos: Poesias (re) cortadas e (re) contadas.
*      Exibição de filmes fazendo paralelo com poesias analisadas.
*      Confecção de um livro de poesias.
*      Discussões sistematizadas acerca dos temas: formação e estrutura de palavras;
*      Confecções de cartazes.
*      Criação de vídeos;
*      Postagens no blog: colegiosuperpasso.blogspot.com

CULMINÂNCIA:

Para encerramento desse projeto será realizado o “ Sarau do José Mendes ” no qual os alunos farão apresentações:

*      Apresentação de vida e obra de poetas renomados.
*      Recital de poesia;
*      Lançamento do livro de poesia confeccionado no decorrer do projeto.


AVALIAÇÂO:

              A avaliação é uma ação de extrema relevância posto que nos dá subsídios para analisarmos se a proposta almejada foi alcançada ou não. Diante disso, vê-se a necessidade dessa prática ser realizada em todo o decorrer do projeto, para que,caso haja necessidade de reformulação de atividades ou discussões, isso ocorra sem prejudicar o processo ensino-aprendizagem. Por isso, em toda a aplicação desse projeto serão analisados os seguintes aspectos:

*      Participação contínua dos educandos;
*      Desenvolvimento do senso crítico;
*      As pesquisas realizadas;
*      Produções individuais e em grupos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHIAPPINI, Lígia. Aprender e Ensinar com Textos Didáticos e Paradidáticos. São Paulo: Cortez, 1997.

JAKOBSON, Roman. O que fazem os poetas com as palavras. Colóquio/Letras, n.12, Lisboa, mar.1973

LIRA, Pedro. Conceito de poesia. Série Princípio. Rio de Janeiro: Ática, 1986.

OLIVEIRA, Gabriela Rodella, Flávio Nigro Rodrigues, João Campos Rocha Português: A arte da palavra, 6º ao 8º ano,São Paulo:Editora AJS Ltda, 2009.



 


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